Carro-chefe
A mudança que fez Hamilton

Lewis Hamilton passou por altos e baixos após a conquista do título mundial em 2008. Para retornar ao topo da F1, superou crises, desentendeu-se e fez as pazes com o pai, e mudou de equipe em busca de um novo desafio. A recompensa chegou na forma do bicampeonato

- Como Rosberg foi capaz de desafiar os limites de Hamilton
- Mercedes entra para a história da F1 com carro excepcional no início da ‘Era híbrida’

Renan do Couto, de São Paulo & Evelyn Guimarães, de Curitiba

Lewis Hamilton teve nas mãos em 2014 todos os ingredientes de que precisava para alcançar o título do Mundial de F1. Um carro praticamente perfeito, uma equipe entrosada e 11 vitórias conquistadas com uma performance exuberante. Mas nada disso teria acontecido sem que o inglês de 29 anos mudasse — de equipe e de comportamento.

O talento de Hamilton sempre foi inegável. Seu desempenho nas categorias de base o fez merecer a chance de estrear na F1 por uma equipe grande. Seu desempenho nesta equipe grande o fez vice-campeão em 2007 e campeão em 2008. Um verdadeiro fenômeno das pistas.

Mas desde o primeiro título, a F1 nunca mais havia visto a combinação de um Hamilton com a cabeça no lugar e um grande carro; era sempre uma coisa ou outra. Em 2012, por exemplo, a McLaren era ótima, mas pouco confiável. Lewis flertou com a luta pelo título e, em certo momento, pareceu ser aquele que mais chances tinha de alcançar Fernando Alonso. Só que uma quebra no GP de Cingapura custou muito caro.

Também ocorreram muitas idas e vindas na vida pessoal de Lewis. Primeiro, o rompimento com o pai, Anthony, que cuidava de sua carreira com mão-de-ferro, acompanhando cada passo do filho. Depois, o término do namoro com a cantora Nicole Scherzinger. Esses episódios contribuíram para que o psicológico do piloto ficasse abalado e ele se tornasse mais suscetível a erros dentro e fora das pistas. Com o tempo, reatou com a namorada e se aproximou novamente do pai — mas apenas com a relação familiar, não mais a ligação profissional.

À revelia, ambos estavam juntos de Hamilton em Abu Dhabi, emocionados por poderem enfim comemorar o bicampeonato.

“Com certeza foi o melhor ano da minha carreira. Como um todo, temos um carro incrível e é um time incrível com o qual posso trabalhar junto”

A decisão de trocar a McLaren pela Mercedes representou a procura por um novo desafio e uma nova motivação. A resolução de todos estes fatores deixou Hamilton na melhor forma possível — no que dependia dele — para correr em busca do título em 2014. Ao mesmo tempo, a Mercedes desenvolveu uma unidade de força excepcional no início da era dos motores V6 turbo e desenhou um chassi igualmente digno de ser campeão.

Essa combinação culminou no que foi visto em pista nos 19 finais de semana da temporada 2014: o melhor Lewis Hamilton com o melhor carro.

“Com certeza foi o melhor ano da minha carreira. Como um todo, temos um carro incrível e é um time incrível com o qual posso trabalhar junto”, concorda Hamilton ao ser perguntado pela REVISTA WARM UP.

O piloto enxerga a Mercedes como “um grande grupo de pessoas melhorando”. E “é um prazer ver isso”. E tem a consciência de que velocidade nunca foi um problema, mas precisou crescer para atingir aquele que, até agora, é o ápice de sua carreira. “Sempre fui rápido, desde que tenho oito anos. Mas crescendo como humano e como piloto, utilizando todos os recursos ao meu redor para melhorar e amadurecer na pista e fora da pista, sinto que cresci mais do que nunca neste ano”, diz. “Eu me sinto, sim, mais maduro, e esse crescimento é o resultado dos 21 anos em que estou dentro desse negócio.”

Constância e velocidade nunca foram um problema para Hamilton, que agora amadureceu e chega ao ápice da carreira

Foto: Mercedes

Uma corajosa decisão

Niki Lauda ainda não era oficialmente um integrante da Mercedes quando foi ajudar a equipe a procurar um substituto para Michael Schumacher. Nos três anos em que correu para o time, o alemão não conquistou resultados expressivos e subiu ao pódio só uma vez, mas foi peça importante para ajudar Ross Brawn a organizar a equipe. Contudo, aos 44 anos, Michael não sabia se queria ou não continuar, e a demora para definir os planos levou o time a se mexer para buscar um substituto. O escolhido foi Hamilton.

No fim de setembro de 2012, anunciou-se que Hamilton deixaria uma McLaren cujo carro era provavelmente o melhor do grid para topar a aventura na Mercedes. O inglês largaria o berço em que foi criado para dar início a um novo ciclo. Foi como se estivesse saindo da casa dos pais para ir morar com os tios, já que a montadora alemã, por meio da relação com a McLaren, chegou a apoiá-lo no início da carreira.

Até aquele momento, a Mercedes havia vencido somente uma vez, com Nico Rosberg no GP da China de 2012, e não tinha conseguido ficar no top-3 do Mundial de Construtores. Hamilton estava trocando o certo pelo duvidoso. Dois anos depois, foi provado que todos estávamos errados.

Em uma entrevista à TV inglesa Sky Sports em Abu Dhabi, Lauda revelou que, para convencer Hamilton a topar a mudança, disse que na Mercedes o piloto conquistaria um novo título mais cedo. O austríaco, que veio a se tornar presidente não-executivo do time, argumentou corretamente. Ross Brawn também lidou diretamente com as negociações, apresentando todo o projeto para o piloto. “Ele veio com o laptop, sentou e tomou um chá comigo – o que foi surreal, pois eu assistia TV há anos, via o sucesso que ele tinha e pensava ‘meu Deus, Ross, ele me quer; antes queria Michael e agora me quer’. Sou eternamente grato”, conta Hamilton.

O lugar de Brawn, que se aposentou no fim de 2013, foi assumido por Paddy Lowe, ex-McLaren. É ele quem toma conta das operações de pista e do desenvolvimento do carro. Norbert Haug, antigo diretor-esportivo da montadora, foi outro que saiu — foi substituído justamente por Wolff no início de 2013. E assim se formaram as bases do conjunto vencedor em 2014: Wolff, Lowe e Lauda tomando as decisões, Hamilton e Rosberg decidindo na pista.

Nos últimos dois campeonatos, Hamilton venceu 12 corridas e já foi campeão. A McLaren conseguiu ir ao pódio apenas no GP da Austrália de 2014 e fechou os dois campeonatos na quinta posição entre os Construtores. “O progresso que a Mercedes fez não tem igual”, resume Lewis.

O recordista F1 W05 Hybrid

A Mercedes tinha um bom motor V8 aspirado, tanto que ele foi campeão com a McLaren em 2008 e com a Brawn em 2009, mas sua equipe própria, desde 2010, sofria principalmente com o desgaste dos pneus traseiros. O chassi não era tão bom, mas a mudança drástica no regulamento para 2014 permitiu o desenvolvimento de um trabalho conjunto que resultou no nascimento do W05 — posteriormente rebatizado como F1 W05 Hybrid.

O motor V6 turbo foi criado na fábrica de Brixworth sob medida para o chassi desenhado em Brackley. Muito melhor que seus antecessores, resolveu a deficiência no downforce, tanto que o carro se comportou muito bem em pistas de baixa de velocidade e embaixo de chuva. O conjunto colocou a Mercedes nos livros de história.

A montadora alemã, pela primeira vez, conquistou o Mundial de Construtores e voltou a vencer no Mundial de Pilotos após 60 anos. Ao longo das 19 corridas, foram conquistadas 16 vitórias, um recorde, 31 pódios, outro recorde. E foi igualada a marca da Red Bull de 18 poles no mesmo ano.

Essa máquina, que marca o início da era das tecnologias híbridas na F1, merece ser lembrada como uma das melhores de todos os tempos, ao lado do MP4-4 e da F2002.

Cabeça no lugar

Desde o início do ano, a mentalidade de Hamilton vinha sendo destacada. A sequência de quatro vitórias entre os GPs da Malásia e da Espanha fez parecer que ele seria imbatível. Toto Wolff já elogiava. Em uma entrevista no começo de maio, após a corrida em Barcelona, o chefão da Mercedes destacava a preocupação de seu piloto com todos os detalhes: “Eu acho que Lewis está em um bom lugar. Encontrou o que é importante para ele. Está cuidando de sua vida de uma forma que consegue andar melhor. Vem nos visitar na fábrica dia sim, dia não, e está incrivelmente focado. Meticuloso. Cuidando de todos os detalhes. E está inspirado.”

Acertar as coisas em casa, amadurecer e até mudar de religião — passou a seguir a cientologia — deixaram Hamilton com esse ‘mindset’, como dizem os ingleses. Ele também rompeu com o empresário Simon Fuller, famoso por agenciar astros de Hollywood, com o encerramento do contrato no fim deste ano.

Mas ainda havia uma dúvida: como Hamilton agiria sob pressão? A crença existente no paddock era que seu psicológico ainda poderia ceder dependendo do que acontecesse. Ao longo do ano, essa fraqueza foi testada mais de uma vez — e a reação do inglês foi positiva.

Em Mônaco, a casa caiu pela primeira vez. A saída de pista de Rosberg no Q3 do treino classificatório gerou suspeitas de jogo sujo por parte do alemão e estragou a boa relação que os dois tinham até então. O clima era de guerra. Lewis carregou uma cara amarrada para o Canadá, onde abandonou, e para a Áustria, prova que terminou em segundo. Continuou assim no sábado na Inglaterra após cometer um erro de julgamento no treino classificatório e largar só em sexto. No domingo, voltou a colocar um sorriso no rosto com uma vitória excelente em Silverstone — com direito a abandono de Rosberg e um desconto de 25 pontos na classificação do campeonato.

A isso, porém, seguiram-se mais dois testes: na classificação na Alemanha, ele bateu forte por causa de uma quebra do disco de freio; na Hungria, ficou fora ainda no Q1 devido a um incêndio no carro. Lá foi o humor ficar ruim de novo.

“Eu acho que o mais difícil foi lidar com alguns dos problemas que tivemos com o carro e com os abandonos”

A última prova de fogo foi na Bélgica, quando foi tocado por Rosberg na segunda volta e sequer pontuou — Nico foi segundo. Na medida em que Lewis aparecia emburrado por aí, parecia que Rosberg vinha tendo sucesso na missão de desestabilizá-lo. Talvez não fosse nem possível se recuperar dos acontecimentos de Spa-Francorchamps.

De todos estes testes, as falhas de confiabilidade foram o que mais o fez sofrer. “Eu acho que o mais difícil foi lidar com alguns dos problemas que tivemos com o carro e com os abandonos”, avalia, minimizando as desavenças que teve com Rosberg: “Não é como se eu não tivesse passado por isso antes, e nada que eu não soubesse contornar. Sou um piloto experiente. Você pega tudo que é negativo e faz com que se torne negativo. É a melhor temporada que já tive e, quando as coisas não parecem bem, é só dar um passo atrás.”

Foi então que Hamilton comprovou a mudança pela qual passou. Engatou cinco vitórias consecutivas e transformou uma desvantagem de 29 pontos em uma vantagem que chegou a ser de 24 após o GP dos EUA, caiu para 17 com a vitória de Nico no Brasil e subiu para 67 com o campeonato concluído. Sem dúvida alguma, um Hamilton muito melhor do que aquele que brigara pelos títulos de 2007 e 2008.

“Em 2007, foi uma experiência muito ruim perder o campeonato. Fui ao fundo do poço, e em 2008 eu dei a volta por cima, brigando pelo título. Eu era imaturo. Não tinha o conhecimento que tenho agora. Não abordava as corridas do jeito que faço hoje. Hoje eu entrei… Normalmente você vai com um frio na barriga, um pouco nervoso. Hoje eu comecei a corrida pensando ‘estou extremamente calmo’, o que é realmente estranho. Isso é uma coisa boa ou uma coisa ruim? Obviamente era uma coisa boa”, relata.

Para Hamilton, o modo como controlou o GP de Abu Dhabi, roubando a posição na largada, mantendo-se à frente de Rosberg sem maiores dificuldades e administrando depois a aproximação de Felipe Massa para ser bicampeão mundial “foi a experiência mais satisfatória”.

Hamilton foi extremamente rápido — e nada errático — nas corridas. Fez apresentações quase perfeitas em diversas ocasiões

Foto: Getty Images

Corridas fantásticas

Hamilton sempre foi conhecido, desde que estreou na F1, como um piloto extremamente veloz — talvez o mais veloz. Aquele cara que mostra todo o seu talento com extrema facilidade, que sabe dar show. O Hamilton que andou em 2014 foi assim, mas não do jeito que mais se esperava.

A batalha pelas pole-positions foi vencida por Nico Rosberg, que largou 11 vezes em primeiro contra apenas sete de Lewis. Na hora de achar aquela volta perfeita, o alemão foi mais preciso. Hamilton, enquanto isso, acabou cometendo diversos pequenos erros aos sábados.

Mas Hamilton foi extremamente rápido — e nada errático — nas corridas. Ele fez apresentações quase perfeitas em diversas ocasiões. Ora induzindo Rosberg ao erro, ora fazendo ultrapassagens de tirar o fôlego, ora segurando muito bem a liderança, ora tomando conta de tudo do início ao fim.

Como Rosberg foi capaz de desafiar os limites de Hamilton?

Nico Rosberg foi um personagem de peso no enredo que contou a história do bicampeonato de Lewis Hamilton na F1 em 2014. A atuação do alemão foi tão vigorosa que ajudou a valorizar ainda mais a conquista do rival. E não só por causa das cinco vitórias, 15 pódios e das 11 poles, mas principalmente porque o filho de Keke conseguiu tirar o arrojado britânico da zona de conforto. Fez Lewis ir à guerra. E disso pode se orgulhar. Talvez tenha sido o maior mérito do germânico.

Rosberg apresentou um enorme crescimento técnico desde que estreou na F1 em 2006 pela Williams. No primeiro ano no Mundial, o piloto conseguiu mostrar talento mesmo marcando somente quatro pontos. Depois, viveu anos difíceis com a equipe de Grove, mas sempre demonstrou grande controle emocional e uma regularidade técnica impressionante. Essas duas características talvez tenham sido decisivas para colocá-lo na Mercedes em 2010.

Michael Schumacher ajudou a moldar a esquadra, mas, para a surpresa da maioria, foi constantemente superado por Rosberg. Em nenhum momento, Nico sentiu a pressão por correr ao lado do maior vencedor da F1. Nos três anos em que compartilhou o time com Schumacher, obteve resultados melhores.

Na primeira temporada de parceira com Lewis, Rosberg de novo não demonstrou qualquer incômodo por trabalhar com um campeão mundial. Inclusive fechou o ano com duas vitórias — em Mônaco e na Inglaterra — contra só uma de Hamilton.

Só que o carro quase imbatível que a Mercedes fabricou para a temporada 2014 colocou tanto Rosberg quanto Hamilton sob os holofotes, e os dois protagonizada uma grata rivalidade na F1, marcada pelo estilo emocional de um e a racionalidade de outro.

Nico iniciou o ano aproveitando o abandono de Hamilton para vencer na Austrália. A vitória foi tranquila, mas ainda havia dúvida sobre o tamanho do domínio da Mercedes. As corridas seguintes sanaram todas as dúvidas.

A seguir, Hamilton emplacou quatro vitórias consecutivas, mas sem conseguir se afastar muito de Rosberg. No Bahrein, a disputa foi equilibradíssima. Na Espanha, também. Era visível que Hamilton, para poder vencê-lo, precisava se superar e dar um jeito de tirar mais alguns décimos da manga.

Apesar disso, a sequência precisava ser quebrada. Era necessário interromper o momento do rival. E o polêmico GP de Mônaco atendeu perfeitamente a essa necessidade. Nico, dono da pole provisória, errou na freada da Mirabeau já no fim do Q3 da classificação. A escapada provocou uma bandeira amarela e impediu o rival de tentar lhe tirar a posição de honra. A manobra causou um enorme mal-estar. Lewis acusou o colega de ter feito de forma proposital. Ninguém conseguiu convencê-lo do contrário, nem mesmo os comissários. Largando na frente, Rosberg repetiu a vitória dominante que havia conquistado em 2013 e saiu fortalecido da situação.

Rosberg nunca admitiu que o episódio de Spa afetou sua pilotagem ou sua força mental. Ao falar das provas em que foi derrotado, especialmente na segunda fase do ano, o alemão optou por valorizar o trabalho do seu adversário. “É claro que eu preciso entender que algo que está acontecendo. Eu tive um período de menos performance. E Lewis fez um trabalho melhor do que o meu. É muito simples”, reconhece.

O lampejo de reação de Rosberg surgiu tarde demais, apenas em Interlagos. Ele chegou ao Brasil sorridente — parecia novamente o cara da primeira metade da temporada. O tempo, um santo remédio, ajudou a apaziguar os ânimos dentro da Mercedes e fez a relação entre Lewis e Nico se tornar cordial novamente. Em São Paulo, Nico de fato conseguiu se impor. Foi o mais rápido em todos os treinos, largou na pole e, com desempenho absoluto, venceu. De quebra, ainda viu Lewis cometer muitos erros. Era o que Rosberg precisava.

Após a penúltima etapa, Toto Wolff, o chefe da Mercedes, reconheceu o esforço do piloto. “Foi bastante impressionante a maneira como Nico dominou o fim de semana. Eu acho que essa vitória foi muito importante para ele do ponto de vista psicológico. Ele conseguiu liderar todas as sessões, fez a pole e ainda ganhou a corrida, controlando Lewis Hamilton atrás, que vinha muito forte. Ele realmente segurou esse ímpeto. Isso foi muito importante, porque se manteve frio.”

Ao ser perguntado pela REVISTA WARM UP sobre uma possível reação de Rosberg, Wolff assegurou que nunca duvidou. “Essa corrida também mostrou que Nico tem as qualidades para lutar com o cara que está liderando o campeonato. A vitória não é suficiente para ele em Abu Dhabi. Mas acho que o que aconteceu aqui, depois de todas as demais corridas, é uma reviravolta importante para ele, psicologicamente importante.”

Depois da vitória no GP do Brasil, Nico decidiu passar alguns dias com esposa Vivian em Dubai, antes de seguir para a prova mais importante do ano. E sem depender apenas de si, ainda tentou impor alguma luta psicológica com Hamilton. Disse que “precisava deixá-lo nervoso”. Mas Lewis parecia impenetrável mesmo depois de perder a pole no sábado para o rival alemão por 0s4.

Apesar de todas as tentativas, a prova se moldou mesmo para o triunfo de Hamilton. Rosberg largou mal e ainda teve de enfrentar uma falha do ERS de seu carro, que o liquidou. O fim da corrida árabe para Nico foi dramático e foi impossível não se sensibilizar com sua atuação. Rosberg se recusou a abandonar a prova, mesmo se arrastando na pista. Quis ir até o fim e acreditou até a última volta. Não deu. Mas Nico não sucumbiu. Não reclamou do carro ou da equipe, apenas agradeceu e, uma vez mais, reconheceu o trabalho melhor do adversário.

"Lewis teve uma grande temporada e tivemos uma grande batalha. Eu me orgulho de ter lutado com ele, que foi o melhor piloto do grid neste ano. Foi incrível ter a chance de brigar com ele até a última corrida, embora eu esteja um pouco desapontado em como as coisas não tenham se voltado a meu favor", afirma Nico. Ao final da prova, Rosberg foi até a antessala do pódio e, com dignidade, parabenizou o rival.

Lewis já possui os melhores números dentre os pilotos britânicos — e ele só perde em títulos para Jackie Stewart, tricampeão

Foto: Getty Images

O que o futuro reserva a Hamilton

Aos 29 anos e dentro de uma equipe que certamente vai continuar nas primeiras posições nos próximos anos, tamanha a felicidade que teve no desenvolvimento das unidades de força V6 turbo, certamente Hamilton terá a oportunidade de buscar muito mais vitórias e títulos.

Seus números já são os melhores entre os pilotos britânicos — ele só perde em títulos para Jackie Stewart, tricampeão, mas igualou Jim Clark e Graham Hill e é o detentor do maior número de poles, vitórias e pódios. Stewart, inclusive, se rende ao seu talento. E Hamilton mostra entusiasmo ao pensar no futuro.

“Isso é algo incrivelmente especial, o que o time juntou neste ano, e eu acho que temos ótimas pessoas nas posições certas, e eu e Nico vamos continuar empurrando o time para a frente, como vão os chefes da Mercedes, que tem sido muito comprometidos. Esses caras sabem tanto quanto eu como foi um ano fenomenal. Eu acho que é realmente importante continuarmos dando passos à frente para continuar melhorando, e eu acredito 100% que o time vai fazer isso. Acredito que vamos estar lá brigando com mais gente por algum tempo”, afirma.